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Energia

Matriz elétrica brasileira em 2025: o que mostram os dados do BEN 2026

EPE aponta 86,8% de renováveis na oferta interna de eletricidade em 2025; veja a diferença entre matriz elétrica e energética e os desafios da expansão.

Profissional de engenharia observa infraestrutura de geração e transmissão de energia, com usina hidrelétrica, painéis solares e turbinas eólicas ao pôr do sol.

O Brasil encerrou 2025 com participação de 86,8% de fontes renováveis na oferta interna de energia elétrica, segundo o Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional (BEN) 2026, divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 3 de junho de 2026. O indicador descreve a composição da eletricidade ofertada e não deve ser confundido com a renovabilidade da matriz energética total do país.

Matriz energética não é matriz elétrica

A matriz energética reúne as diferentes fontes de energia utilizadas em transportes, indústria, edificações e outros setores, incluindo combustíveis. Já a matriz elétrica considera especificamente a eletricidade. Segundo a EPE, a participação de renováveis na matriz energética brasileira em 2025 ficou próxima de 50%, enquanto, na matriz elétrica, alcançou 86,8%. A diferença é fundamental para interpretar os resultados sem exagerar a descarbonização da economia.

O avanço de solar e eólica

Os dados consolidados pela EPE indicam que as fontes eólica e solar fotovoltaica responderam juntas por 26,4% da geração total de eletricidade em 2025. A geração solar, incluindo unidades centralizadas e micro e minigeração distribuída, foi de 88,1 TWh, crescimento de 24,7% em relação a 2024. A geração eólica alcançou 116,5 TWh, aumento de 8,2%.

A micro e minigeração distribuída participou de 7,0% da geração total de eletricidade em 2025, de acordo com o BEN 2026. Esses números indicam expansão das fontes renováveis, mas não eliminam a necessidade de transmissão, distribuição, armazenamento, flexibilidade operacional e planejamento.

A importância de comparar indicadores

O aumento da geração de uma fonte pode decorrer da entrada de usinas, de condições climáticas e da utilização dos equipamentos. Potência instalada, medida em MW, e energia efetivamente produzida, medida em MWh ou TWh, são grandezas diferentes. A comparação com o ano anterior deve usar a mesma metodologia e o mesmo recorte.

O relatório da EPE também registra crescimento de 12,3% da geração termelétrica em 2025 em relação a 2024, mostrando que a leitura sobre o setor não deve se limitar à expansão solar e eólica.

Como acompanhar a expansão

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) disponibiliza dados de empreendimentos de geração no Sistema de Informações de Geração da ANEEL (SIGA), incluindo usinas em diferentes estágios. Para avaliar projetos e políticas, é importante separar empreendimentos anunciados, autorizados, em construção e efetivamente em operação.

Referências e fontes primárias

  • Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Balanço Energético Nacional 2026, ano-base 2025. Brasília, 2026. https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/balanco-energetico-nacional-2026
  • EPE. EPE publica o Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2026. 3 jun. 2026. https://www.epe.gov.br/pt/imprensa/noticias/epe-publica-o-relatorio-sintese-do-balanco-energetico-nacional-2026
  • Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Sistema de Informações de Geração da ANEEL (SIGA), conjunto de dados abertos. https://dadosabertos.aneel.gov.br/pt_BR/dataset/siga-sistema-de-informacoes-de-geracao-da-aneel

Nota metodológica: os percentuais referem-se ao ano-base de 2025, segundo publicação de 2026. Não representam projeções para o encerramento de 2026.

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